A história de Geraldo Rufino, “O Catador de Sonhos”.

Geraldo Rufino em cima de máquina em sua fábrica de reciclagem.

Presidente da JR Diesel, primeira e maior empresa de reciclagem de peças de caminhões do Brasil e da América Latina, o empreendedor Geraldo Rufino, 62 anos, diz que já quebrou seis vezes, mas saiu de todas mais forte – e mais rico.

Afinal, ele sabe como ninguém o significado da palavra resiliência. Aos 11 anos, perdeu “muito dinheiro” que havia juntado por dois anos catando latinhas num lixão, quando o terreno baldio onde enterrava as economias foi limpo por uma escavadeira.

Sem desanimar, deu início a um novo negócio na favela do Sapé, em São Paulo, onde morava. Montou um campo de futebol, mandou fazer dois jogos de camisas e cobrava para as crianças jogarem. Ganhou dinheiro, mas seu pai perdeu tudo.

Negócio por acidente

Aos 14, foi contratado como office boy pelo Playcenter, um parque de diversões em que seguiu carreira até ser diretor de operações. Ainda jovem, abraçou paralelamente o empreendedorismo, comprando uma frota de caminhões, com os quais transportava adubo.

Em 1985, porém, os veículos bateram e deram perda total. Rufino, então, desmontou os caminhões, vendeu as peças e descobriu uma oportunidade no mercado de reciclagem automotiva. Surgia a JR Diesel, um negócio que, além de fomentar a geração de emprego e renda, fornece uma alternativa dentro da lei ao desmanche ilegal de veículos.

No meio disso, no entanto, fez uma parceria com estrangeiros, que foram embora.

“Nós ficamos na mão, errei na estratégia e quebrei de novo: só que desta vez a conta era maior: R$ 16 milhões.”

Trabalhando 14 horas por dia, Rufino desenvolveu e modernizou o negócio. Hoje, comanda uma empresa que fatura hoje R$ 50 milhões e “cresce no mínimo 30% por ano”. Determinado, diz que “se tem uma pedra no caminho, tem de usá-la como um degrau para subir de novo”.

Dentro de casa

Apesar de sua mãe ter morrido quando ele tinha sete anos, Rufino se refere à ela como seu grande exemplo e costuma citar muitas das lições que aprendeu no pouco tempo em que conviveram.

A primeira casa de que se lembra era um barraco de madeira: a construção simples, cheia de frestas, não segurava o sol da manhã. Muito religiosa, sua mãe dizia que aquela luz era divina, ensinando os filhos a ter gratidão por mais um dia de vida, hábito que ele segue até hoje.

Também se lembra de acompanhar a mãe na ronda que ela fazia por feiras e na Ceasa (central de abastecimento), na hora da xepa, para pegar a comida que sobrava. E de sempre trazer mais que o necessário, para poder dividir com os vizinhos.

“A força do empreendedorismo começa dentro de casa, a sensação de união, de equipe, de time. Pega mentoria, pega orientação, pega informação da mãe, do pai. Olha o que essas pessoas já viveram! Isso não tem em universidade nenhuma. Você precisa aprender a ouvir para evoluir.”

Sobre a pandemia, Rufino lembra que “as crises sempre existiram e nunca deixarão de existir, porque, se não tiver crise, não tem mudança, não tem evolução”. Mas, segundo ele, “tem muita gente olhando para o estrume, mas tem de prestar atenção no cavalo. Agora tem mais oportunidade do que antes”.

Para ele, os tempos não estão mais difíceis, estão diferentes.

“É preciso parar de pensar negativo, de pensar que para o outro é mais fácil. Não terceirize a culpa: o governo, a pandemia, o dólar. Quantos motivos você precisa para não acreditar em você e empreender?”

Matéria disponível em: https://revistapegn.globo.com/Feira-do-Empreendedor-2020/noticia/2020/11/geraldo-rufino-empreendedor-que-quebrou-6-vezes-da-licoes-de-resiliencia.html

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